Líderes corporativos da Europa, Japão e Índia se encontram em Caux, na Suíça, de 11 a 16 de Julho, na conferência Confiança e Integridade na Economia Global (TIGE): Cultivando Conhecimento – Gerando Ação. Lá anunciaram sua profunda preocupação sobre a demanda resultados que tornaram os gerentes bastante focados em preços competitivos e ganhos a curto prazo.
O grupo incluiu Dr. Jamshed Irani, membro da diretoria da Tata Sons Ltda. na Índia, Toru Hashimoto, Presidente da Deutsche Seguradoras no Japão, e o Dr. Jean-Pierre Mean, do Conselho Geral e Chefe do Serviço de Conformidade da SGS Ltda., em Genebra, líder mundial em inspeção, avaliação e certificação.
Apresentando seu relatório para a conferência, os líderes empresariais clamaram por um pensamento a longo termo e a necessidade de chefes executivos para permanecerem no escritório por períodos maiores que os atuais ciclos de 3 a 5 anos, como ocorre em alguns países.
Dr. Mean, que encaminhou o relatório, complementou que ‘temos que resgatar os direitos humanos como valor absoluto e intangível para toda a humanidade’. Ele deplorou investidores famintos por ganhos contínuos a curto-prazo no mercado. ‘Isso contribuiu muito para a atual crise financeira’, disse.
Ação proposta
Os líderes corporativos listaram uma série de passos para aumentar a responsabilidade das corporações na economia global, como segue abaixo:
Transparência na contabilidade e conformidade com padrões de contabilidade
Honestidade em transações empresariais e rejeição de qualquer tipo de corrupção
Confiança como base de parcerias duradouras de sucesso
Revisão do ganho executivo
Definição da taxa de remuneração executiva para os empregados mal-remunerados
Incluir critérios não-financeiros tais como integridade, respeito por outros e solução de conflitos na seleção de executivos
Direcionar uma política ou código com regras claras para todos os empregados
Aumentar o foco em todos os cotistas que poderão responder com aumento de valores comuns
Treinamento e tratamento justo para os empregados
Engajar na comunidade local sob forma apropriada de gasto sustentável
Ver a Responsabilidade Social Corporativa e os recursos humanos como investimento, não como gasto
Raymond W. Baker, autor de ‘O Calcanhar de Aquiles do Capitalismo’, estava fazendo um discurso público em Caux sobre ‘Financiamento de um Mundo Seguro’. Baker, dos EUA, um entusiasta da anticorrupção, disse que transferências ilícitas internacionais têm estimativas conservadoras de 1 a 1,6 trilhões de dólares, cerca de metade dos fundos que saem de países pobres e vão para países ricos.
Existe uma estrutura inteira para mover dinheiro do pobre para o rico, continuou Baker, ‘acabando com a ajuda estrangeira. Cerca dos 50 a 80 bilhões de dólares por ano em ajudas oficiais estrangeiras são superadas em 10 vezes pelos 500-800 bilhões retornando na outra direção. ‘Isso não consegue ajudar aos países pobres, e não pode ajudar os ricos’, disse Baker.
A Rússia, nos últimos anos, viu o maior roubo de recursos na história da humanidade, e a China foi rapidamente seguindo o mesmo jogo. Nigéria viu o maior percentual de produtos da cesta básica roubados em qualquer país, onde 70% da população vive com 1 ou 2 dólares por dia. O Congo testemunhou a maior exploração da história e, desde o ano 2000, cerca de 4,5 milhões de pessoas foram assassinadas: ‘deficiência na economia mata’, enfatizou Baker. ‘O que aconteceria se uma grande parte desses fundos ficasse nos países pobres?’, perguntou.
Baker disse que transferência de dinheiro ilícito acontece de três formas – corrupção e roubo de elites locais, ganhos de atividades criminais e taxa de evasão comercial. ‘Países corruptos’ contribuem com cerca de 3% do total, ressaltou ele, enquanto 30 a 35% seria por crimes, e a maior parte, 60 a 65%, por evasão comercial.
Este sistema internacional foi bastante desenvolvido desde os anos 60, guiado por duas forças: ‘o desejo de elites políticas e econômicas sobre países pobres querendo retirar o dinheiro do país – e nós do Ocidente ajudamos nisso – e a expansão de negócios multinacionais’. Existem agora 91 paraísos fiscais, e milhões de corporações camufladas. Traficantes de drogas e criminosos não precisaram inventar nenhuma nova forma ou caminho. Isto constituiu ‘a maior desculpa no sistema econômico global’, declarou.
‘Nós, do Ocidente, não somos vítimas inocentes’, disse ele. ‘Nós desenvolvemos técnicas e estruturas para as transferências internacionais de dinheiro ilícito – e agora ele retorna para nos morder’. ‘Em qual parte de nosso padrão de vida nós, do Ocidente, contribuímos para o tráfico negreiro, tráfico de mulheres, forjados?’, perguntou ele. ‘Simplesmente não queremos saber’, sugeriu.